'Preciso muito que alguma coisa muito muito boa aconteça na minha vida... alguma coisa, alguma pessoa. Acho que tenho medo de não conseguir deixar que o passado seja passado, de aceitar verdades pela metade, de viver de ilusão ! Eu preciso muito muito deixar acontecer o momento da renovação, trocar de pele, mudar de cor. Tenho sentido necessidades do novo, não importa o quê, mais que seja novo, nem que sejam os problemas. Preciso deixar a casa vazia para receber a nova mobília ! Fazer a faxina da mente, da alma, do corpo e do coração ! Demolir as ruínas e construir qualquer coisa nova, quem sabe um castelo.'
Caio Fernando Abreu
segunda-feira, 25 de abril de 2011
quinta-feira, 11 de março de 2010
Sobre determinação e desespero

Eu digo: não confie na bondade das pessoas. Se alguns têm aquilo que todos precisam haverá conflito. Pedaços pequenos são divididos e nós estamos indo a todo vapor, para onde não sabemos. Necessidades ampliadas. A chave foi roubada e agora eu exijo mais que apenas trivialidades. Sobretudo, eu exijo as coisas boas da vida. E o que eu vou fazer se tudo o que eu desejo é ilegal ou imoral? Irônica e contraditória nossa voz denuncia a vida moderna em nome dos valores que a própria modernidade criou. Se não agora... Se não você... Se não agora, quando? Se não você, então quem? Você que aprendeu a ter olhos te vigiando, bocas dizendo o que é permitido. Estamos cansados de mera informação, de temer o fantasma dentro da máquina. De repente, da calma fez-se o vento e do momento único fez-se a trama. Agora não pode passar. É simplesmente como nós vivemos. Miramos o alvo e atiramos, quebramos a lógica. Desejar ser livres... O que pode nos impedir de tentar?
Perdoar e esquecer equivale a jogar pela janela experiências adquiridas com muito custo. Se uma pessoa com quem temos ligação ou convívio nos faz algo de desagradável ou irritante, temos apenas de nos perguntar se ela nos é ou não valiosa o suficiente para aceitarmos que repita segunda vez e com frequência semelhante tratamento, e até de maneira mais grave. Em caso afirmativo, não há muito a dizer, porque falar ajuda pouco. Temos, portanto, de deixar passar essa ofensa, com ou sem reprimenda; todavia, devemos saber que agindo assim estaremos a expor-nos à sua repetição. Em caso negativo, temos de romper de modo imediato e definitivo com o valioso amigo ou, se for um servente, dispensá-lo. Pois, quando a situação se repetir, será inevitável que ele faça exactamente a mesma coisa, ou algo inteiramente análogo, apesar de, nesse momento, nos assegurar o contrário de modo profundo e sincero. Pode-se esquecer tudo, tudo, menos a si mesmo, menos o próprio ser, pois o carácter é absolutamente incorrigível e todas as acções humanas brotam de um princípio íntimo, em virtude do qual, o homem, em circunstâncias iguais, tem sempre de fazer o mesmo, e não o que é diferente. (...) Por conseguinte, reconciliarmo-nos com o amigo com quem rompemos relações é uma fraqueza pela qual se expiará quando, na primeira oportunidade, ele fizer exactamente a mesma coisa que produziu a ruptura, até com mais ousadia, munido da consciência secreta da sua imprescindibilidade.
domingo, 24 de janeiro de 2010
quarta-feira, 30 de setembro de 2009
Era necessário e inadiável, só minha conciência sabe o quanto estava pesado e o quanto eu estava mal, pessoa de caráter que sou, três dias bastaram para uma certeza que ainda é uma interrogação, infelizmente não posso prever o futuro, mas aceito o desafio. Com a certeza de que não se pode ter tudo sigo tentando filtrar o que é melhor pra mim. Coisas boas vão surgindo na minha vida, junto com a inveja e os olhares que seguem cada gesto meu, e eu me sinto pronta para derrubar cada obstáculo e fazer com que os olhares sejam desviados. Nunca foi fácil ser diferente, nunca é, mas agora as coisas são mais simples de entender, é nítido que meu brilho próprio brilha mais forte e que mesmo sem querer me destaco. Que venham os desafios e os altos e baixos da vida, sei que Eles estão comigo, sei que sou abençoada por Eles e não preciso de mais nada. Obrigada por tudo.
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
Tenho murchado imperceptivelmente toda vez que gasto meu tempo com gente que não me acrescenta, que me suga. É essa maldita vontade de ser gente boa que acaba comigo. Parece que nesses momentos a gente descobre que tem que ser meio egoísta, porque não há nós mesmos suficientes para todo o mundo. Que seja cruel, mas que seja pela minha sanidade: eu me dôo para quem eu acho que merece. Minha atenção, meu sorriso, meu pesar, meu boa noite serão destinados só àqueles por quem eu me interesso. A questão é que meu ouvido não é penico. A questão é que eu não tenho paciência pra gente superficial e chata. E o tempo passa rápido demais. Não é uma questão de ingratidão; é só que a vida urge e eu preciso aproveitar melhor o tempo que me resta.
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