terça-feira, 13 de maio de 2008

Presença de Anita

NANDO - " Me dá um beijo."

ANITA - " Não."

NANDO - " Tem coragem de me negar um beijo?

*Ela olha pra ele, com força. E estoura, com ódio e com vontade de chorar.*

ANITA - " Tem coragem de pedir um beijo pra uma pessoa que te dá nojo? Tem? "

NANDO - " Por favor, Anita, eu errei te peço desculpas! "

*Ela avança pra ele, dedo em riste, nariz empinado, como um adulto falando com uma criança*

ANITA - " Você sabe o que o Armando costumava falar? que não se pode sentir nojo nem pena de quem se ama! Que era melhor sentir raiva do que pena, do que nojo, porque isso é a própria ausência de amor! O armando me falava isso e ele sabia das coisas, era um homem viajado, falava inglês e francês, um artista sensível! Ele não era capaz desses sentimentos. E olha que até tinha razão pra sentir pena de mim, nojo também, porque ele me pegou praticamente na rua, descalça, suja! Mas não. Me levou pra casa dele. Cuidou de mim! Minhas unhas estavam enormes, imundas...e sabe o que ele me falou? "Vem cá, senta aqui, vamos cortar essas unhas! As minhas estavam assim até ontem. Quase precisei de uma tesoura de jardineiro para cortar!" E riu e me fez rir. Entendeu a delicadeza? Ele disse que estava com as unhas iguais às minhas, pra não me humilhar, não me ofender! É com esse tipo de homem que me acostumei! E vem você, que eu mal conheço, e diz que tem nojo de mim? Muito bem! Faça o serviço completo! Tem nojo? Pois tenha pena também! Vai ver é isso mesmo que eu mereço por gostar tanto de você!"

domingo, 4 de maio de 2008

Sentimentalismo alternativo, ou, a ausência dele

"Eu queria um amor rídiculo, incoveniente, esfixiante e consumidor que não me desse espaço para pensar, queria um amor que me fizesse berrar até a garganta sangrar.Que me fizesse estiletar o braço com com seu nome.Um amor que me escutasse chamando seu nome de cidades a distância e acalmasse o caos do universo com um simples abraço.Um amor cujo beijo me desse frio na barriga e cujo corpo no meu me possuise de tal forma que eu não conseguisse parar de chorar, borrando a maquiagem e inchando meu rosto.E que mesmo nesse estado ele me chamasse de a mulher mais linda do mundo, a única.Que fizesse com que me sentisse virgem e intocada ao desabotoar meu sutiã e percorrer meu corpo com suas mãos.Que me desse dor de cabeça de tanto pensar nele e que essa dor só parasse com um beijo.Alguém que morresse de ciúmes de todos meus amigos e me xingasse toda vez que ficasse inseguro.E que pudesse curar essa insegurança com um simples olhar ou demonstração de afeto.Um amor que me instigasse a tatuar seu nome por lugares espalhados do meu corpo, que pertence só a ele.Que me fizesse comprar seu perfume, e usá-lo em todas as minhas roupas para cheirá-las e senti-lo quando ele não estivesse comigo.Que me fizesse escrever poemas e músicas intensas explicando por A+B porquê de ele ser a razão da minha vida.Que quando lesse se calasse e quando eu menos esperasse, falasse que me amava.Alguém que escolhesse minha roupa, penteasse meus cabelos e pintasse as unhas do meus pés.Um amor que me fizesse cozinhar um jantar a luz de velas com vinho branco e existisse sobre trilha sonora sexy e sedutora.Alguém que eu pudesse contar todos os meus segredos mais intimos e irreveláveis sem medo de julgamento.Que me fizesse escrever cartas quilométricas em rolos de papeis higiênicos.Com que eu pudesse tomar banho de espuma, sair do banheiro nua e assistir filmes debaixo do cobertor no quarto refrigerado.E que o ar condicionado nos deixasse doentes para cuidar um do outro.Alguem a quem eu desse comida na boca, lambuzasse de sobremessa e depois lambesse o corpo inteiro.Alguem com quem eu tirasse milhares de fotos intimas para poder fazer uma parede dos nossos momentos e decora-lás com o sangue do meu dedo.Com quem todos os dias fossem diferente, que todos fossem como a primeira vez.Queria ter asas e dividi-las com ele e quando ele não estivesse por perto me fizesse cair.Queria um amor pelo qual eu pudesse morrer, para torar lindo o ato de viver"

terça-feira, 22 de abril de 2008

versos íntimos

Vês?! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão - esta pantera -
Foi tua companheira inseparável!

Acostuma-te a lama que te espera!
O Homem que, nesta terra miserável,
Mora entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera

Toma um fósforo, acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro.
A mão que afaga é a mesma que apedreja.
Se a alguém causa ainda pena a tua chaga
Apedreja essa mão vil que te afaga.
Escarra nessa boca de que beija!

confissão

Aborreço-te muito.
Em ti há qualquer coisa
De frio e de gelado, de pérfido e cruel,
Como um orvalho frio no tampo duma lousa,
Como em dourada taça algum amargo fel.

Odeio-te também.
O teu olhar ideal
O teu perfil suave, a tua boca linda,
São belas expressões de todo o humano mal
Que inunda o mar e o céu e toda a terra infinda.

Desprezo-te também.
Quando te ris e falas,
Eu fico-me a pensar no mal que tu calas
Dizendo que me queres em íntimo fervor!

Odeio-te e desprezo-te.
Aqui toda a minh’alma
Confessa-to a rir, muito serena e calma!

…………………………………………………….
.Ah, como eu te adoro, como eu te quero, amor!…

silêncio

No fadário que é meu, neste penar,
Noite alta, noite escura, noite morta,
Sou vento que geme e quer entrar,
Sou o vento que vai bater-te a porta...
Vivo longe de ti, mas que me importa?
Se eu já não vivo em mim!
Ando a vaguear
Em roda a tua casa, a procurar
Beber-te a voz apaixonada, absorta!
Estou junto de ti e não me vês...
Quantas vezes no livro que tu lês
Meu olhar se pousou e se perdeu!
Trago-te como um filho nos meus braços!
E na tua casa...
Escuta!...
Uns leves passos...Silêncio, meu amor!...
Abre! Sou eu!

quarta-feira, 2 de abril de 2008

"Quanto mais fecho os olhos, melhor vejo
Meu dia é noite quando estás ausente
E à noite vejo o sol se estás presente."

Willian Shakespeare
Ela coloca um disco na vitrola,
um bebop metálico que faz lembrar cocaína.